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12/29/2007

Um vinho excepcional


Natal, Ano Novo. Muitos brindes. Vinho delicioso. Mas é a outro vinho que me refiro: o vinho acre, ou ácido. O vinagre. Já que estamos falando em mudar o mundo, pelo menos em nossas atitudes ecoconscientes, lanço algumas sugestões para começar mudando o comportamente dentro de casa. E os homens que já estão se preparando pra correr, voltem! He he. Sim, pois a responsabilidade é de todos nós. É importante que façamos alterações em nosso estilo de vida e na organização doméstica a fim de colaborar para garantir a sobrevivência da Terra. São atitudes tão simples, que qualquer um pode desenvolver o hábito de realizá-las.


Vinagre, o mil e uma utilidades

No post de hoje, gostaria de relembrar algumas dicas para deixar o planeta mais limpo, começando pela nossa casa. E apenas com um único produto: o vinagre. Com ele, podemos diminuir o uso dos detergentes e substituir os produtos de limpeza à base de cloro . Uma solução de vinagre ou limão diluídos em água serve para limpar vidros e tirar gordura. O desodorizador de ambiente pode ser substituído por uma solução de ervas com vinagre ou suco de limão. Além de gastar menos dinheiro, estaremos evitando produtos responsáveis pelo aumento de doenças respiratórias e alergias.

Veja que dicas práticas e econômicas:

Na limpeza do banheiro, a maioria dos produtos de limpeza contêm cloro, substância extremamente irritante aos olhos, nariz e pele. Experimente vinagre puro 5% em um frasco limpo de pulverizador em seu banheiro, e use-o para a limpeza. O cheiro do vinagre desaparece em pouco tempo.

O vinagre puro é excelente para limpar a borda da pia do banheiro: basta pulverizar e remover com um pano. Se preferir, despeje vinagre e deixe descansar durante a noite, enxaguando pela manhã. Para acabar com aquele mofo que fica no banheiro, pulverize vinagre destilado branco na área mofada e deixe, sem enxaguar. O vinagre puro mata 99% das bactérias, 82% do mofo e 80% dos germes.

Para limpar janelas e espelhos, use três colheres de vinagre diluídas em 11 litros de água quente. Se o vidro estiver muito sujo, primeiro limpe-o com água e sabão. Para secar superfícies, utilize tecido de algodão reutilizado ou jornais velhos. O vinagre também é muito bom na copa e na cozinha. Pulverize-o na tábua de cortar carne, após o último uso, e deixe durante a noite. Para amaciar suas roupas, adicione ½ copo de vinagre durante o enxágüe.

Há muitas outras utilidades para o vinagre. Vejam aqui os usos surpreendentes deste coringa: na máquina de lavar roupas, na limpeza dos banheiros e da casa, nas lixeiras, em urina de animais, nos cabelos, no piso e balcão da cozinha, ufa, e muito mais.

Prefere o tradicional detergente?

Quer comprar os produtos industrializados para não passar por pão duro, he he? Então, procure utilizar produtos de limpeza sem fosfato, sem soda, sem cloro e sem CFC. Os detergentes para louça costumam conter fosfato, nutriente que provoca crescimento acelerado de algas em rios e lagos, causando a morte das espécies aquáticas. Por isto, utilize-os o menos possível ou os substitua pelos biodegradáveis, que podem ser absorvidos facilmente pelo meio ambiente. Existem no mercado produtos que não possuem tais ingredientes e não agridem sua saúde nem poluem o ambiente.

Então, tim tim! E um ano novo e limpinho para todos nós! Pelo menos a consciência...

12/11/2007

Impacto negativo + impacto positivo = impacto zero

O Colin Beavan, do No Impact Man, entrou numa fase interessante do projeto. Como já falamos aqui, ele se propôs a, junto com a família (esposa, filha e um cachorro), viver sob regras bastante rígidas para zerar seu impacto sobre o meio ambiente. A duração prevista para o projeto era de um ano.

A fórmula básica usada por ele é "impacto negativo + impacto positivo = impacto zero". O objetivo dele, mesmo depois do fim da fase punk do projeto, é, no mínimo, não causar nenhum dano adicional à Terra por conta do seu modo de vida. Para isso, ele procura compensar as atitudes que têm um impacto negativo com outras que tenham um impacto positivo.

Pois bem. No fim de novembro, acabou a fase cheia de regras do projeto. Agora ele entrou num processo de avaliar o que volta a ser como antes e o que pode e deve mudar para se viver uma vida sustentável. E talvez essa seja a parte do projeto mais interessante para nós, reles mortais.

Ele já falou sobre a questão da eletricidade: voltou a usar a máquina de lavar (sem água quente), mantém a temperatura da geladeira no mínimo possível, apaga as luzes que não estão sendo usadas e tira da tomada os aparelhos que não estão sendo usados. Decidiu abolir a TV e o ar condicionado, além de ter optado por religar a energia da casa com uma opção verde de energia eólica.

Mais uma vez, dicas sobre as quais a gente pode pensar e idéias que a gente pode copiar ou adaptar.

Viajando em tons de verde

Uma das maiores dificuldades que enfrento na minha tentativa contínua de ser uma pessoa menos poluidora do mundo ocorre durante as minhas viagens. No conforto do meu lar, é muito mais fácil manter controle de uma vida mais verde. Quando pisamos na rua - e mais ainda, quando viajamos para um lugar desconhecido - o controle diminui drasticamente, e me sinto meio que nas mãos de outros, que podem ou não ser ecoconscientes. É claro, há medidas pessoais mesmo fora do seu lar que você pode fazer para minimizar lixo e poluição, mas em média, essas são muito menos eficientes que dentro do seu habitat natural. De qualquer forma, estou sempre atrás de informações e dicas que me mostrem como posso melhorar essa situação e ser uma viajante mais "verde".

Nessa busca incessante, achei recentemente um artigo no Brave New Traveler que dá sugestões de como tornar suas viagens mais ecoeficientes, deixando para trás menos sujeira, mas sem perder a graça e o prazer da jornada. Algumas das dicas:

- Desligue todos os aparelhos da tomada ao sair de casa.

- Evite comprar souvenirs - a princípio, eu não entendi essa dica, porque sempre gosto de contribuir com o comércio local, e acho que isso melhora a vida das pessoas. Mas lendo o texto, entendi por que o autor assim sugere.

- Alimente-se de comida local - uma dica duplamente eco: ecológica e econômica.


As demais dicas estão lá e o artigo terá mais duas partes, que já estou no aguardo. Deixo aqui o link inicial como dica de leitura especial aos amigos que viajarão nessas festas e nas férias de janeiro, e que também se importam com o ambiente em que vivemos e com as mazelas que ele vem sofrendo. Que tal aplicar alguma das idéias que o texto sugere?

O ambiente agradece.

11/17/2007

Amazônia sufocada



O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse neste sábado que a Amazônia está "sendo sufocada", ao encerrar a reunião do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em Valência. Ele afirma que o governo brasileiro avança no combate ao desmatamento e tem promovido o gerenciamento sustentável da floresta. Mas teme que o aquecimento global já esteja minando estes esforços. De acordo com a previsão do IPCC, grande parte da selva amazônica se transformará em savana. "Toda a humanidade deve assumir a responsabilidade em nome das gerações futuras", declarou Ban.

O texto que foi divulgado oficialmente neste sábado pelo secretário-geral não menciona a Amazônia ao listar ecossistemas onde já se percebem evidencias "fortes" de impacto da mudança climática. Mas os negociadores incluíram um quadro mais "suave" em que, entre vários exemplos, afirmam que "até meados do século, aumentos de temperaturas associados à redução do nível de água no solo devem ocasionar uma substituição gradual da floresta tropical por cerrado no leste da Amazônia".

Além disso, eles enfatizaram que terras semi-áridas do continente sul-americano - como o sertão nordestino - tendem a ser substituídas por vegetação árida.O alerta dos cientistas eleva a pressão para que os governos tomem medidas concretas contra o aquecimento global. O atual Protocolo de Kyoto, que estabelece metas de emissões de CO2 para nações desenvolvidas até 2012, vem sendo descumprido por vários países e sequer foi ratificado pelos Estados Unidos.Segundo ele, os países em desenvolvimentos devem ser ajudados em três frentes: com fundos para financiar a tecnologia de energias limpas; através de "correntes financeiras para adaptação"; e por uma maior cooperação em pesquisa e desenvolvimento científico, assim como a transferência de tecnologias limpas.

Sabemos que a maior concentração de fontes de emissão de CO2 está em países que rejeitaram ou não ratificaram o protocolo de Quioto, que visa à redução do aquecimento global. Como a mudança climática afetará mais efetivamente os países em desenvolvimento e o degelo provocará inundações em zonas montanhosas e escassez de água na Asia meridional e na América do Sul, cabe aqui reiterar o fator humano por trás do aquecimento e a necessidade de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, especialmente pela queima de combustíveis fósseis. Segundo o relatório há possibilidades "reais e acessíveis" para combater essas mudanças.

Eu quero acreditar nisso.

Fonte
imagem


10/29/2007

Ecológicas e fashion!




Como o papo sobre a redução do uso de sacolas de plástico é recorrente - e também porque é uma coisa muito fácil que podemos fazer para reduzir o nosso impacto ambiental - aqui vão algumas dicas de onde você pode adquirir uma bolsa superfashion e ajudar o meio ambiente.

O Instituto Acqualung oferece um kit com duas Sacológicas e um lixo para carro. Novidade quentíssima da Luz Fernandez, tem também as sacolas retornáveis Carbono Zero. E as sacolas da Silvana Buena, divulgadas pela Mercedes Lorenzo no Folha Verde. A Carol Grilo, da FofysFactory, também lançou a ShopBag, a sacola ecológica da marca.

Se você também tem a sua versão de sacola ecológica ou conhece alguma legal, deixe o link nos comentários!


Foto daqui


Atualização em 1º de novembro de 2007


Para a turma prendada, a Denise indicou um site com instruções para fazer bolsas de crochê com sacolas plásticas (em inglês). Numa pesquisa rápida, encontrei este aqui, em português. Dá pra fazer coisas lindas!

9/27/2007

Educação ambiental no ClicFilhos

O portal ClicFilhos produziu uma série de matérias sobre aquecimento global, e dá dicas de como podemos fazer a nossa parte. Confiram!

O tal do aquecimento global. Aqui, Carla Oliveira fala sobre as causas do aquecimento global e dá dicas do que podemos fazer para reduzir o nosso impacto, em linguagem simples e accessível.

Lixo que vira brinquedo. Neste artigo, Carla ensina como fazer nove brinquedos usando sucata.

Cardápio à base de sobras. Maria Paola de Salvo fala sobre as propriedades nutricionais de alimentos que, em geral, em vez de irem para a mesa, vão para o lixo, e dá dicas de como podemos utilizá-los.

Seja um consumidor consciente. Outro artigo de Carla Oliveira, onde ela chama a atenção para um dado alarmante: atualmente, o homem anda consumindo 20% a mais dos recursos naturais disponibilizados pela mãe natureza do que a capacidade de renovação do planeta.

Ecologia também se aprende na escola. Aqui, Lucy Casolari mostra que a escola também tem um papel importantíssimo quando se trata de educação ambiental.

Sempre alerta! Carla Oliveira mostra por que a formação dos escoteiros é um excelente exemplo para todos nós: “Por meio de jogos, trabalhos manuais, excursões, músicas e muitas outras atividades, os escoteiros aprendem valores fundamentais, como a importância de ajudar o próximo, respeitar a natureza, conviver em grupo, ter autonomia, responsabilidade e auto-confiança.”

8/30/2007

Precisando de uma sacola nova?

Como já comentei aqui, de vez em quando, visito o blog do No Impact Man (em português, uma tradução livre seria “O homem do impacto zero”). O projeto dele é legal e o blog é um prato cheio para quem quer fazer alguma coisa pelo meio ambiente mas não sabe o quê. Porque simplesmente tudo o que ele faz é pra evitar impacto sobre o meio ambiente. Ele não compra nada novo (compra roupas em brechós, reutiliza embalagens - de terceiros, que fique bem claro - para criar novos utensílios domésticos, como o copo reutilizável que carrega pra lá e pra cá), não usa eletricidade (sim, ele mandou desligar a eletricidade do apartamento dele - eles lavam a roupa na banheira e, pra imitar o movimento da máquina de lavar, eles pisoteiam a roupa mais ou menos como os antigos produtores de vinho pisavam nas uvas), não usa transporte que emita gás carbônico (só anda a pé ou de bicicleta)... Enfim, ele pesquisou e adotou um estilo de vida o mais livre possível de impactos sobre o meio ambiente.

Revendo alguns artigos e comentários mais antigos aqui do blog e lá do Futuro do Presente, reparei num pequeno debate sobre sacolas reutilizáveis para evitar trazer para casa aquelas malfadadas sacolas de plástico. E recentemente teve um post lá do No Impact Man sobre isso: ele estava quebrando a cabeça para descobrir como faria para arrumar uma sacola de compras reutilizável sem ter que comprar uma sacola de pano nova. Daí apareceu um amigo com um presente criativo e inusitado: uma sacola feita a partir de uma regata. Isso mesmo, uma camiseta regata! Fantástico. O cara costurou a parte de baixo da camiseta velha (provavelmente uma que não era mais usada) e voilà! Transformou-a em uma sacola de compras. As alças da camiseta são as alças da sacola. Superecológico.

8/28/2007

Podemos delegar a nossa parte?

Em uma das notícias reproduzidas hoje no Portal do Meio Ambiente, Adriana Kuchler, da Revista da Folha, fala sobre como as pessoas procuram aliviar a sua parcela de culpa pelo estado em que se encontra o meio ambiente hoje através de ações paliativas.

OK, podemos procurar formas de compensar o impacto que nossas vidas modernas, corridas e cheias de tecnologia causam: plantar uma árvore ou contribuir para um evento ecológico, por exemplo. É um passo no sentido de reconhecermos que estamos causando algum impacto negativo sobre o meio ambiente.

Mas é importante termos em mente que precisamos fazer mais. Precisamos reduzir o consumo. De tudo. Precisamos reaprender a viver.

E alguém disse que seria fácil fazer a sua parte?

8/21/2007

Campanha bacana em S.Paulo: óleo de cozinha

Recebi o aviso por e-mail agora. A Porto Seguro, em parceria com o Instituto Triângulo promove uma ecoatividade: o seu óleo de cozinha por sabão ecológico. De 20 a 31 de agosto, os postos Porto Seguro de S. Paulo recebem o óleo de cozinha em garrafas PET e dão em troca duas pedras de sabão ecológico - produzido com materiais poluentes, se transforma em produto ecológico (e economicamente rentável), o que desperta os consumidores para o consumo consciente.
Os postos da Porto Seguro atenderão de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 18h30.
Veja a relação:
Tatuapé - R. Azevedo Soares, 1043
Pacaembu - Av. Pacaembu, 35
Paulista - Av. Paulista, 91
S. Bernardo do Campo - R. Atlântica, 585
Osasco - Av. Corifeu de Azevedo Marques, 5090
Santana - Av. Nova Cantareira, 764
Indianópolis - Av. Indianópolis, 1267
Santo André - Av. Portugal, 1285
Guarulhos - Av. Dr. Renato de Andrade Maia, 1325

Lembre-se: um litro de óleo de cozinha contamina um milhão de litros de água - o consumo de uma pessoa por 14 anos. Recicle!

8/20/2007

Dia Mundial sem Carro

Dia 22 de setembro. Marquem a data, divulguem, contem para todo mundo. Este dia - e, faço votos, sempre que for possível - os carros ficarão na garagem. É o Dia Mundial Sem Carro.
Um dia para conhecer a sua cidade de outros ângulos: do topo dos ônibus, da profundidade dos metrôs, com a graça dos trens, o sussurrar do vento da bicicleta, o velho e bom caminhar pelas calçadas.
Aqui em S. Paulo, a ONG Nossa São Paulo, que acaba de ser fundada por Oded Grajew se adona da idéia. Mas a história já acontece há muitos anos, divulgada pelo Rua Viva. E, para este ano, parece que haverá experiências bacanas na TV Cultura. A conferir.
O melhor é ver que cada vez mais gente (e dinheiro) se aglutina em torno de idéias que promovem bem-estar. Porque aturar esse tanto de carros nas ruas, ninguém merece. O que no Brasil parece bobagem, em Nova Iorque será obrigatório: o prefeito de lá, contou Gilberto Dimenstein em julho, determinou, na marra, que os táxis sejam menos poluentes, quadruplicou a área das ciclovias e, para completar, prometeu cobrar R$ 16 para cada carro que circular em Manhattan. Palmas para Bloomberg. Se o cara sair candidato à presidência, como dizem, estarei na torcida.
Privilegiar o transporte individual acima do coletivo é pernicioso - para os indivíduos e para o planeta. Meu consumo anual de carbono, descobri, é mínimo. Quem tem carro, entretanto, deve muito ao planeta. E, segundo matéria de hoje, na Folha Online, não há biocombustível que resolva.
Enquanto os cientistas tentam resolver a equação, eu não uso carro. Vendi no começo do ano e sou uma mulher feliz - e livre para escolher meu meio de transporte. E, confesso: quando estou cansada, cansadíssima, apelo para o táxi. O meio ambiente - e o meu bolso - agradecem.

8/11/2007

Transition Towns

A dependência do petróleo por parte da economia mundial, assusta. Há quem aposte suas fichas nos biocombustíveis, e há quem decidiu eliminar os riscos de uma nova dependência.

Transition Towns é o nome de um movimento que começa a ganhar força na Inglaterra. Acreditando ser tarde demais para encontrar fontes alternativas de energia, com disponibilidade imediata e em quantidade suficiente para atender a demanda mundial, Rob Hopkins e seus seguidores resolveram antecipar o futuro e começam a aprender a viver sem o conforto da tecnologia.



Para as comunidades que decidem aderir à filosofia, tudo tem início com a transição da produção e do consumo. Cada bairro ou cidade se organiza para tornar-se independente e utilizar cada vez menos o transporte de mercadorias – pelo menos as mercadorias que podem ser produzidas localmente ou que podem ser substituídas por produtos alternativos. Mas eles estão apostando tudo em uma mudança de estilo de vida, decididos a abrir mão de alguns itens de conforto.

A educação para a nova geração – a primeira em muitos anos a viver sem o petróleo – conta com palestras em escolas, filmes e ensina atos simples, como a troca de lâmpadas normais por aquelas de baixo consumo, ou a substituição dos aquecedores domésticos a óleo, gás ou eletricidade por aquecedores a lenha. O mel local tomará o mercado do açucar, assim como o chá, do qual os ingleses não abrem mão, deverá ser transportado por navios, e não mais por via aérea. Adeus à geladeira: irão comer chucrute, alimentos desidratados, salgados ou conservados com banha, além de frutas e verduras frescas.



A coleta de água da chuva para armazenamento em cisternas é uma das saídas encontradas para evitar um duro racionamento, e a água do banho será reutilizada para regar jardins e hortos caseiros.

O último estágio prevê o uso de moedas locais. Será o fim da globalização? E se for, isso precisa ser negativo?

8/03/2007

Amamentar é um ato ecológico II

Denise1No ano passado, fiz esse post como parte da blogagem coletiva proposta pela Lucia Malla, no Dia da Terra. Agora, na blogagem coletiva sobre amamentação, achei que o post deveria ser divulgado por aqui, como minha primeira contribuição ao blog "Faça a sua parte".

Uma das coisas que me apaixonaram na amamentação foi a sua complexidade e as diversas formas de se trabalhar com esse tema. Apesar de parecer um ato solitário, apenas entre a mãe e o bebê, a amamentação envolve muito mais - garantia de direitos humanos e trabalhistas, gênero, educação, luta contra promoção indiscriminada de alimentos infantis e... ecologia.


Impacto Ambiental da Alimentação por Mamadeira

Desperdícios

Se todo bebê norte-americano recebesse mamadeira, quase 86.000 toneladas de alumínio seriam usadas nas 550 milhões de latas de leite descartáveis. Se as latas tiverem rótulos de papel, somam-se outras 1230 toneladas de papel às enormes quantidades de papel brilhante usadas na propaganda do produto. Embora algumas latas sejam reutilizadas, grande parte do metal e papel seria jogada fora e raramente reciclada.

Os leites para bebês vêm sendo, crescentemente, comercializados na forma de alimento pronto-para uso, em caixas feitas a partir de uma mistura de materiais e, conseqüentemente, impossíveis de serem recicladas.
Denise2Mamadeiras, bicos e demais acessórios são feitos de plástico, vidro, borracha e silicone, geralmente reutilizáveis, mas raramente reciclados ao final de sua vida útil. A nova idéia de vender leite pronto em mamadeira, por vezes já com o bico, significa que jamais será reutilizado.

Em 1987, somente no Paquistão, 4 milhões e meio de mamadeiras foram vendidas. O número de mamadeiras por bebê é bem maior em países industrializados (a maioria dos bebês nos EUA usa pelo menos 6).

Todos estes produtos desperdiçam recursos naturais (estanho, papel, vidro, etc), causam poluição desnecessária na sua produção e empacotamento e proporcionam um problema de lixo.

Os plásticos representam uma preocupação especial, pois a maioria deriva do petróleo, um recurso chave, e sua produção causa poluição. São raramente reciclados pela ausência de equipamentos adequados e dificuldade em separar os diversos tipos. São virtualmente indestrutíveis e permanecem como poluentes quando jogados fora.

O nome dos chamados plásticos biodegradáveis é errado, pois apenas um dos seus elementos é orgânico e se biodegrada deixando pedaços muito pequenos como poluentes - pelo menos os plásticos "não biodegradáveis" podem ser removidos e reciclados ou destruídos adequadamente. A fumaça resultante de sua incineração pode conter dioxinas e outros tóxicos.


Água

Denise3Ao preparar o leite artificial, a mãe deve esterilizar a água e os utensílios.

Água e energia para fervura são facilmente disponíveis no mundo industrializado,
mas não é uma razão para desperdício.

A energia geralmente vem de usinas convencionais e nucleares que poluem o meio ambiente.

A falta de água não é comum nos países desenvolvidos, mas em 1975 a OMS estimava que 60% das pessoas em países menos desenvolvidos não tinham acesso a água suficiente. Não é raro que, em algumas partes da África, as mulheres gastem 5 horas por dia buscando água. Um bebê de 3 meses alimentado por mamadeira necessita de 1 litro de água por dia para adicionar ao leite e outros 2 para ferver bicos e mamadeiras15. Além disso, deve-se somar a água necessária para lavar e enxaguar.

A lenha também é um recurso precioso em alguns países em desenvolvimento e tem sido usada em rítmo alarmante. Gasta-se 200g de madeira para ferver 1 litro de água. Assim, em um ano, uma criança alimentada artificialmente consumiria pelo menos 73 kg de valiosa madeira.

Líquidos esterilizantes comercializados são comumente usados para limpar a maioria das mamadeiras e bicos em muitos países industrializados. A maioria deles usa como base água sanitária clorada e a produção de ácido clorídrico está relacionada à emissão de dioxinas.


A Indústria Leiteira

Denise4Seriam necessárias 135 milhões de vacas leiteiras para substituir o leite de mulheres só da Índia. Cada vaca precisa de cerca de 10.000 m2 de pasto, o que significa dedicar 43% da área da Índia à pastagem (uma área equivalente a 6 vezes o tamanho da Grã-Bretanha) para substituir o leite materno.

Para criar pastagens é preciso desmatar, o que leva, conseqüentemente, à erosão e exaustão do solo, ao aumento de gases que contribuem para o efeito estufa, além da redução de flora e fauna decorrente da mudança do solo. Para se produzir um quilo de leite para bebê, gasta-se no México, 12.5 m2 de floresta tropical.

As vacas liberam metano, gás importante para o fenômeno estufa, através de flatus e fezes aumentando a poluição atmosférica. O gado produz 100 milhões de toneladas anuais de metano, 20% do total. A eliminação do excremento é um problema por si só e geralmente causa poluição de rios e do subsolo.

A criação de gado contribui também para a formação da chuva ácida. A amônia dos currais reage com o dióxido de enxofre (presente no ar em países desenvolvidos) produzindo sulfato de amônia que ataca as folhas e se converte em ácidos nítrico e sulfúrico quando atinge o solo. A criação intensiva de gado, comum nos países onde a maior parte do leite artificial é produzida, exacerba este problema.

Os fertilizantes nitrogenados muito solúveis usados na produção de ração para vacas leiteiras podem contaminar os lençóis de água. Um milhão e meio de pessoas na Grã-Bretanha bebem água com níveis de nitrato acima dos estipulados pela Comunidade Econômica Européia.

Fertilizantes nitrogenados e detritos animais são as duas principais causas do excesso de plantas em lagos e rios (o lago ou riacho
se torna rico em nutrientes causando crescimento excessivo das plantas). Sua decomposição consome todo o oxigênio da água, causando mau cheiro e matando a vida existente. Estima-se que o custo para limpar águas poluídas por nitrato, de apenas uma região da Grã-Bretanha, será de 200 milhões de libras.


Processamento e Transporte
Denise5A maior partes dos leites artificiais é leite de vaca pasteurizado e convertido em pó. O leite é desnatado, filtrado e aquecido entre 95 a 105ºC durante 14-20 segundos, homogeneizado, resfriado e secado com 5 jato de aproximadamente 73ºC e borrifado em um ambiente de 160ºC. A fabricação do leite de soja é semelhante.

A energia necessária para atingir as temperaturas e os procedimentos mecânicos adequados causam poluição do ar (chuva ácida e efeito estufa), bem como a utilização de recursos naturais como combustível. O leite ou soja, ingredientes principais dos leites infantis artificiais, são misturados a um coquetel de substâncias
industrializadas.

O leite geralmente viaja distâncias consideráveis antes de ser processado e a lata, o papel, as mamadeiras, etc, também devem ser transportados.

Depois de empacotado, o leite é levado ao consumidor. O Equador, por exemplo, importa leite dos EUA, Irlanda, Suiça e Holanda. Outros países exportadores incluem o Japão, França, Alemanha, Dinamarca, Grã-Bretanha e Nova Zelândia; a maioria dos países importa leite de lugares distantes. Não há dados exatos sobre a poluição causada por este transporte desnecessário, que é sem dúvida considerável.

(Texto de Andrew Radford, leia mais aqui.)

Atenção:

Não pretendo, com essas informações, colocar nos ombros das mulheres mais um peso e responsabilidade pelo "futuro do planeta". Minha mensagem não é que, porque a amamentação é um ato ecológico e o uso de mamadeiras é prejudicial ao meio ambiente, as mulheres devem amamentar.

O que quero deixar registrado é mais um argumento para que toda a sociedade apoie as mulheres, para que possam amamentar com prazer e tendo garantidos todos seus direitos. Amamentar não é um dever, mas é um direito da mulher.



Campanha Internacional

Denise6

A primeira vez que ouvi falar no impacto ambiental do abandono da amamentação foi na Eco 92, quando a IBFAN Rio organizou uma série de eventos pra divulgar esse tema.

Em 1997, a pedido da WABA (Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno), coordenei, em nível internacional, uma campanha de esclarecimento sobre esse tema, na Semana Mundial da Amamentação.

Foi minha primeira experiência de trabalho, verdadeiramente "globalizado". Organizamos um pequeno grupo de trabalho, em Porto de Galinhas, que contou com uma venezuelana (Antonieta Hernandez), uma uruguaia (Cecilia Muxi), três brasileiros (eu, Lígia e Marcus Renato de Carvalho) e um inglês (Andrew Radford, autor do trabalho Impacto Ecológico da Alimentação por Mamadeira).

Esse grupo elaborou um esqueleto para o "folder de ação", que foi redigido por Andrew e revisado por pessoas de todos continentes. Meu ex, Paulo Santos, bolou com o cartunista Libório, toda produção gráfica e criamos um software educativo, para crianças; uma cartilha eletrônica; uma cartilha impressa e um livrinho para colorir. Todo material foi impresso na Malásia, em diversos idiomas e distribuído de lá mesmo, para quase 100 países.

Esse foi um trabalho do qual me orgulho muito, porque é uma forma fantástica de trabalhar a questão da amamentação com crianças e adolescentes que ainda não têm interesse nenhum em relação aos cuidados com bebê. Não adianta falar sobre os benefícios do leite materno, mas eles entendem muito bem e se preocupam bastante com nosso meio ambiente.


Leia mais sobre o assunto:




(Postado originalmente em 22/04/06 por Denise Arcoverde no Síndrome de Estocolmo e gentilmente cedido para publicação aqui. A Denise está agora organizando uma blogagem coletiva sobre amamentação para o dia 07 de agosto. Participe!)

7/27/2007

Seu óleo vegetal usado pode virar sabão

A empresa Disque Óleo Vegetal Usado recolhe o seu óleo de cozinha usado para fazer sabão. Basta armazenar o óleo em garrafas pet de 2 litros (ou latas) e, quando tiver 3 garrafas cheias, ligar para o Disque Óleo, solicitando a retirada.

Se despejado no ralo, o óleo de cozinha usado torna-se um grande poluidor, facilita o entupimento dos canos, mesmo os mais largos, e exige gastos maiores na rede de tratamento de esgotos para decantá-lo.

A saída é a reciclagem e, agora, está ao alcance de todos. Você, dona de casa, também pode doar o seu óleo. Divulgue para as pessoas na sua rua, para a sua comunidade e para seus amigos a importância da reciclagem. Junte-se a nós e contribua para o meio ambiente! Faça sua parte.
A natureza agradece!

DISQUE ÓLEO VEGETAL – (21)2260-3326; 7827-9446; 7827-9449

Leia mais: http://www.disqueoleo.com.br/aempresa/

Mulheres, uní-vos em defesa da natureza: reciclem seus ciclos

Sexta passada falei da questão dos valores que temos atualmente e dos limites que queremos nos impor em prol da sustentabilidade.

Pois bem, aí vai um teste para as mulheres:

"O aBIOsorvente é um absorvente íntimo reutilizável, 100% algodão (anti-alérgico) e surge como uma alternativa ecológica aos absorventes descartáveis que, além de possuírem substâncias tóxicas, são bastante poluentes.

Você já tinha parado para pensar que podem existir alternativas aos absorventes descartáveis?

Que os descartáveis contém resíduos, do próprio processo industrial, que podem não fazer nada bem ao seu corpo (contribuindo para váaaarias doenças ginecológicas: desde a simples candidíase até um câncer de colo de útero)? Fora o impacto ambiental que eles causam: cada uma de nós irá consumir, ao longo da vida fértil, algo em torno de 10 mil absorventes descartáveis, que ficarão aí pelo mundo por volta de uns 100 anos...

Mas imagine que não é só você que está no planeta, que são milhões de mulheres descartando todo dia absorventes, e contribuindo significativamente para piorar a qualidade de vida do mundo em que habitamos. Apenas nos Estados Unidos são jogados fora 12 bilhões de absorventes e 7 bilhões de tampões por ano. Isso é muita coisa!

Há quem pense que não pode fazer nada a esse respeito;..."

Continuem lendo aqui.

Fonte: Coisas de Mulher, recebido via mensagens do Grupo de Educação Ambiental da Internet - GEAI.

7/16/2007

Rodízio de placas - SP


Morei em São Paulo muitos anos e conheço bem os problemas que o trânsito causa. Lembro, sem nostalgia, dos meus olhos permanentemente vermelhos, da vida que corria sempre atrasada e da agressividade gratuita dos motoristas estressados. Convivi, por muitos anos, com buracos do metrô, construções de viadutos e alargamento de ruas e avenidas. São Paulo era – e ainda é – um eterno canteiro de obras.

O paradoxo de tentar reduzir o trânsito de veículos sem antes oferecer uma alternativa eficiente de transporte público sempre existiu, naquela que é uma das maiores cidades do mundo. Mesmo as ocasionais tentativas de mudar parte da cidade para outras regiões, transferindo empresas, universidades e criando infra-estrutura em cidades do interior, não diminuiu o problema. Os problemas de São Paulo – como de toda cidade grande – são proporcionais às suas dimensões. É mais fácil administrar cidades menores, e as soluções ali encontradas podem e devem ser adaptadas para as grandes metrópoles. Em Salvador, por exemplo, o trânsito de veículos de carga tem horário rígido no centro histórico.

Muitas cidades européias possuem as chamadas ZTL (Zonas de Tráfego Limitado), geralmente no centro da cidade. Nelas, a velocidade máxima é de 30 km/h, o trânsito é restrito a moradores, comerciantes locais e pequenos veículos de carga. As opções para quem precisa ir ao centro existem, mas só funcionam se as pessoas se dispõem a mudar os próprios hábitos, mesmo quando essa mudança exige algum sacrifício. Em Piacenza, a cidade onde moro, no Centro-norte da Itália, existem estacionamentos nas periferias coligados ao centro através de micro-ônibus a cada dez minutos. Tudo grátis. Quem faz o percurso habitualmente, pode, ainda, usufruir de uma bicicleta exclusiva, fornecida pela prefeitura (como a da foto acima), pelo valor simbólico de cinco euros por ano, incluindo a manutenção. A única obrigação é repor a bicicleta, ao anoitecer, na mesma vaga de onde foi retirada, próximo ao ponto final do micro-ônibus, no centro. O cinturão viário que circunda a ZTL também possui estacionamentos com as bicicletas da prefeitura.

Outras cidades, como Florença, por exemplo, cobram pedágio dos veículos de quem não mora na cidade, assim como incentivam os habitantes à compra de bicicletas elétricas, pagando boa parte do custo de aquisição.

Paris acaba de aderir às bicicletas. A prefeitura local colocou à disposição milhares de bicicletas para aluguel diário, como já fazem outras cidades européias, mas o valor cobrado pode tornar a empresa pouco atraente, se a necessidade da bicicleta for superior à primeira meia hora, que é grátis.

Durante o inverno, quando aumenta a concentração de partículas em suspensão e o ar fica irrespirável, começa o rodízio de placas. Nesses dias a vigilância é rigorosa e a multa, salgada. Só podem circular os automóveis cujas placas coincidam com a alternância dos dias, se par ou ímpar. Em algumas cidades é permitido transitar com veículos de última geração, com filtros que impedem qualquer resíduo poluente. Também é possível circular com qualquer automóvel, mesmo os mais velhos e mais poluentes, desde que transportem um mínimo de três pessoas.

Num esforço para melhorar ainda mais a qualidade do ar e conscientizar os moradores, quase todas as grandes e médias cidades italianas promovem os “domingos a pé”, que é como iremos acabar no futuro que está logo ali na esquina, se não mudarmos o hábito de usar o carro para tudo.

6/24/2007

Festa junina ecologicamente correta


Em época de festas juninas, recebi um convite que me fez sorrir. A escola Waldorf Jardim Michaelis, no Rio de Janeiro, abrirá as suas portas no próximo domingo, dia 1º de julho, para a sua tradicional festa junina. Mas sacaram o convite? (Cliquem na imagem para ampliar.)

Repararam em algo diferente? Pois é. Eles pedem que cada um leve a sua caneca, em uma campanha pelo fim dos descartáveis. Foi idéia da minha amiga, mãe da Maiara, Renatinha Dias Gomes.

É uma iniciativa para ser divulgada, copiada e aplaudida.

6/18/2007

Você e o Lixo

Para refletir sobre o seu comportamento relativo aos resíduos, sugerimos que faça este questionário, respondendo às questões que se seguem.


1. Atira fora a ponta do cigarro quando sai do carro/acaba de fumar?

2. Joga no chão papéis de pastilhas, balas, ...?

3. Deita o lixo em qualquer lado, por dar muito trabalho procurar um local apropriado para o deitar?

4. Separa os seus resíduos por material e deposita-os em contentores apropriados?

5. Procura deixar um lugar mais limpo do que o que encontrou?

6. Quando passeia e não encontra um lugar apropriado, traz o lixo que fez para casa?

7. Procura encontrar novos usos para os produtos já usados?

8. Quando vai às compras, leva sacos de casa para as transportar?

Reflita sobre como melhorar o seu comportamento perante os resíduos.

É consciencioso e responsável no que respeita a resíduos? PARABÉNS!
Se está preocupado com a limpeza e o aspecto agradável do seu ambiente, repara no que está à sua volta, mas pode e deve melhorar o seu conceito de limpeza?
Atenção ao seu comportamento. É urgente que faça qualquer coisa para o alterar!

Adaptado daqui